Já lá vão quase 6 meses. Começa agora a árdua tarefa de lutar contra as diferenças da Pipa. A estimulação é muito importante e por isso tem sido uma constante nas nossas vidas. A Filipa começa agora a quere reagir ao mundo exterior, mas tem limitações. A Encefalopatia Hipoxico-Isquemica Grau II que lhe foi diagnosticada é grave. Não sabemos ainda qual o seu futuro mas sabemos que é grave. A Filipa pode nunca chegar a andar, e sempre que projecto esta imagem na minha cabeça não cosigo evitar as lágrimas no canto do olho.
È demasiado duro para os pais iamginarem um cenário tão negro por um erro negligente e de natureza atroz. Como é que isto nos sucedeu???????
A Pipa, neste momento não controla os movimentos dos braços, não fixa o olhar em nós, aliás parece mesmo que não nos acha. Faz hipertonia dos membros superiores e por quase sempre as mãos fechadas é dificil trabalha-la. Não dá garagalhadas e emite sons básicos e raros como um "aaa" ou um "grr".
Qualquer mãe que olhe para um filho nestas condições desanima e ás vezes até apetece desistir. A Filipa´mais parece um autocolante, nunca quer deixar o colo e nós não conseguimos vê-la chorar. Se derivado ao problema ou mesmo do feitío, quando se irrita, contrai os musculos de uma forma que assusta.
Mas nós não desistimos, diariamente exercitamos todos os musculos, é vital que assim seja. Por fazer adução dos membros acaba por ter dificuldade em fazer o movimento oposto como abrir as pernas ou levantar os braços acima da cabeça, dói mesmo.
Cada dia é uma conquista e sempre que a minha filha sorri é uma alegria ainda maioe para mim. Por norma é uma bebé bem-disposta e a cada movimento que ela faz melhor é uma vitoria. Estes 15 dias que estive com ela a tempo inteiro foram fundamentais, consigo notar alguns progressos. Acredito que insistentemente com fisioterapia e muita estimulação a Filipa faça progressos ao seu ritmo. Não desisto hoje mesmo que tenha pouca vontade ou esteja em baixo e não desisto nunca de a trabalhar, só assim faço o melhor por ela.
A minha filha é o meu objectivo de vida e é por ela que resisto a tudo sem ficar presa ao passado.
Estamos a 2 meses e qualquer coisa do nascimento. A Pipa já está em casa e a ser acompanhada nas consultas de neuropediatria.
È uma bebé fantastica, linda e o orgulho do papá e da mamã....
Tem algumas birras, já sabe como chamar a atenção, coisa que aliás todos eles aprendem muito rapido...... Adora o banho e quando acorda bem-disposta é a maior simpatia.
É fenomenal a forma como passamos a ver a vida, tudo o que não seja Filipa não é relevante, principalmente quando somos assombrados pelos fantasmas das possibilidades de limitações. Não deixo de me sentir surpreendida com os sentimentos que ela me desperta.
É lindo ser mãe, sentir que trocamos a nossa vida se necessário para os proteger sem sequer hesitar. Fez-me crescer enquanto melhor e descobrir mais um pouco de mim que nem fazia ideia que pudesse existir com esta força.
Relembro muitas vezes as palavras do pediatra, "mais 15 min e já não havia nada a fazer....". E certo é que cada momento retida nesse pensamento me faz sentir pequenina e perdida. A ponto de cada vez que falo no assunto me emocionar.
Estou feliz e tranquila com a minha filha aqui do lado, sei que saberei reconhecer as necessidades dela e por isso a mimo tanto.
Só adormece ao colo, pois é, e qual é o problema???? Eles gostam e nós também. faz birra porque se habituou a dormir na nossa cama??? e depois???? nós somos a força, os pilares e as muletas que eles precisam para crescer confiantes e se sentirem amados. Mimos a minha filha tem de sobra, do amnahã tratamos depois, com a simples certeza que a minha direcção ou caminho a seguir é e será sempre no mesmo sentido do dela, lado a lado. Mãe compreeende ser amiga, protectora, quem cuida, quem adormece, quem dedica, quem vive. Para ela estar bem eu também tenho que estar, ela sente.................
Sim é possível sentir a maior felicidade e a maior tristeza do mundo em simultâneo...começou 3 dias antes do dia 22, comecei a sentir algumas dores que facilmente identifiquei como contracções, eram o mesmo que dores menstruais nos rins e uma por outra na barriga..... Muito certinhas e incomodas lá passaram a surgir de 6 em 6 minutos. Como ainda estamos a 50Km do Hospital decidimos sair.Quando cheguei ao Hospital foi confirmada fizemos um CTG, que identificou as ditas contracções e os batimentos cardíacos da Filipa. Passámos a outra fase, a da dilatação, que se veio a concluir que ainda não existia, ou seja, ainda não estava em trabalho de parto.A médica assistente mandou dar uma "voltinha" e comer uma dilatação leve. Mais tarde vamos confirmar se já havia dilatação, e nada, mas também as dores incómodas desapareceram um pouco..... por via das duvidas e por ter completado as 40 semanas nesse mesmo dia, sábado, pernoitei no Hospital. A noite foi horrível, as dores voltaram a incomodar e passei a noite em claro..... No Domingo de manhã repeti o CTG e embora houvesse registo de contracções não havia dilatação. Continuamos para segunda de manhã, mais um CTG, tudo bem, algumas contracções mais fortes mas nada de dilatação. O medico assistente aborreceu-se de esperar e mandou-me para casa, para estar numa cama com dores então também podia ficar em casa. Como sou bem mandada vim para casa, comi e fui dormir um pouco porque desde a noite de quinta que não pregava olho, durante a noite com dores, durante o dia dores e reboliço...Acordei 2 horas depois com uma dor fortíssima, comecei a trepar pelas paredes com dores nos rins e na barriga de 10 em 10 minutos. O meu marido chegou a casa e achou que devíamos ir de imediato para o Hospital, tentei aguentar mais um pouco porque já estava traumatizada com tanto tempo lá enfiada numa cama....As contracções já se contavam de 5 em 5 minutos e decidimos partir, o caminho foi horrível, não sabia bem onde me agarrar ou se devia bater com a cabeça para atenuar aquela imensa dor e pensar noutra. Chegada ao Hospital o Zé deixou-me na urgência e foi arrumar a carrinha, trouxe o meu saco e o da Filipa e lá fomos nós para a maternidade........ Quando foi feito o exame de dilatação tinha 2 cm, ainda faltava um bocadinho até à epidural.... mas pronto, temos que aguentar... O problema surge quando eu me apercebo que medica e enfermeira trocam comentários como: "Parece-me que temos uma gravidez de Mé"....... Eu subentendi que haveria mecónio no liquido amnióico....... queria perguntar mas as dores que sentia não me deixaram elaborar grande coisa. Passámos para outra sala para fazer CTG e aí deu-se o pior, algo não estava bem mas também ninguém me disse nada. O Zé teve que sair á meia-noite da sala e aguardar que alguém o chamasse para assistir ao parto. Em 5 minutos tudo mudou, afinal íamos descer para o bloco operatório para cesariana de urgência. Cheguei ao bloco num instante, conclui que realmente havia algo de errado e só podia ser aquilo mesmo, a minha filha estava em sofrimento e não havia tempo para parto normal.......O Zé foi avisado para esperar á porta da bloco, iria ver passar a bébe. Eu levei anestesia geral e apaguei.Passado meia hora a Filipa nasceu, eu só vim a acordar ás 2 da manhã.O Zé estava á porta do bloco mas achou estranho passar uma incubadora para dentro, afinal se a nossa bébe é grande e sem problemas o mais certo é ser para outra pessoa....Algum tempo depois sai a incubadora, com um bébe, um pediatra a reanimar e umas enfermeiras. Havia alguns comentários como: "Isto tá complicado!!!!"O Zé dirigiu-se á enfermeira e perguntou por mim e pela filha, o pior foi quando lhe responderam que aquele bébe que seguiu na incubadora a ser reanimado e que originava comentários tão pessimistas entre a equipa era o nosso. Caiu o mundo...... caiu tudo, porquê??? o que aconteceu??? são perguntas que nos limitámos a fazer até nós próprios e sem resposta. A enfermeira explicou de uma forma bastante evasiva o que aconteceu "mas hoje já não adianta ficar aqui, a sua esposa pode levar muito tempo a acordar e amanhã logo pelas 9:00h vai á neonatologia e fala com os pediatras......" E ponto.Eu assim que acordei tive a sensação de me estar a afogar, sem conseguir respirar e sem conseguir tossir porque estava cheia de dores. Se foi 1 minuto então esse minuto foi uma eternidade.... Eu recuperei e perguntei de imediato: "A Filipa"?????? " A Filipa deve ser a sua filha não???" Eu respondi que sim, e a enfermeira respondeu de uma forma bem distante. "Ela foi para a neonatologia!" e eu perguntei se depois a iria lá buscar claro, a minha filha deve estar é ao pé de mim. Ela respondeu que não, e quando e voltei a insistir no que é que aconteceu a enfermeira livrou-se dizendo que: "Eu não estava lá dentro, não sei o que se passou".... Perguntei só se por acaso o meu marido sabia que a Filipa foi para a neo, ela repondeu que sim que estava á porta quando ela saiu.Fui para o quarto, ao fim de alguma insistência a enfermeira de obstetrícia que me foi buscar lá me explicou mais qualquer coisa. A Filipa aspirou mecónio, muito mecónio, nasceu em paragem e foi levada para a neo. O meu telefone tinha ficado com o Zé, que por acaso ainda me iria ver na hora do parto.... Estava em pânico. foi um turbilhão de sensações e era tal a adrenalina que não havia dores nem sonolência nem vestígios de uma cirurgia. Assim que clareou toquei a campainha, queria levantar-me e precisava de ajuda. As enfermeiras de inicio não queriam mas rapidamente cederam. Ou isso ou vou sozinha.......Lavei-me o mais que consegui e fiquei sentada na cama á espera do pequeno-almoço, não podia sair de lá sem o tomar. Chegou ás 9:30h, parecia uma eternidade, pedi também por favor um telefone para poder ligar ao meu marido, precisava falar com ele o quanto antes. Ingeri metade do pão e o leite e entretanto ele chegou. Corremos para a neo, quem me viu andar diz que eu não tinha passado por uma cesariana 9 horas antes.....Assim que me indicaram a incubadora foi a pior sensação da minha vida, impotência, sofrimento, perda, e um aperto no peito que não tem tamanho.......A nossa filha nasceu em paragem respiratória, foi aspirada, teve muita dificuldade para reanimar e o futuro é imprevisivel.........3 dias depois ainda não nos habituámos mas encaramos com ânimo a situação, o Zé tem sido o meu pilar ou eu não aguentaria. Tem havido alguma melhoras mas os dias sem ela custam muito a passar. Há momentos que nunca vamos esquecer, a primeira vez que a vimos, a saída do Hospital, o entrar no quarto e ver a caminha dela, o desfazer a mala da maternidade...Todos os dia são uma conquista e a nossa princesa é forte, nasceu com 3, 460Kg e é linda.Ganhamos força, coragem e confiança a cada experiência em que verdadeiramente paramos para enfrentar o medo.(Eleanor Roosevelt)
Pois é, estamos na recta final para o parto. A ansiedade é mais que muita, a cada dia que passa é sempre a expectativa de que vai ser hoje o grande dia, depois chega ao fim e pensamos: "Talvez amanhã!!!"os sintomas são os normais, inchaço nos pés e nas mãos, desconforto, algumas dores pelo caminho mas sempre com boa disposição.Há quem diga que eu estou mesmo com cara de gravida, por estar um pouco rechonchuda e segundo os "entendidos" está para muito breve......Durante o dia tento descansar o mais que posso, até porque me canso com facilidade. Opto por me recostar no sofá e divido o tempo entre a TV, o blog e a leitura. A Filipa de vez em quando lembra-se de dar sinal de vida, entre pontapés e cotovelos e sei lá mais o quê parece estar a arrumar a casinha para entrar na sua nova vida.Sinto algumas dores que associo a contracções, nada de intenso ou de frequência regular e por isso não entro em pânico. Se mudar de posição ou me deitar um pouco passa logo significa que ainda não é hora de ir ao Hospital. As pernas pesam toneladas e as costas doem a cada movimento. O peso altera de dia para dia, sempre mais umas 100grs ou 200grs, até já evito de ir á balança.....Á noite, depois de jantar eu e o Zé, o meu marido optamos por dar sempre uma voltinha pelo quarteirão. È aconselhavel andar a pé nesta fase, ajuda na dilatação..... depois qdo chegamos a casa fazemos um pequeno lanche e depois cama!!!!Aí começa outra batalha, primeiro arranjar uma posição confortável que se divide entre virada para o lado esquerdo ou virada para o lado direito já para não falar na dificuldade em respirar, depois esquecer todos os incomodos para conseguir que o sono chegue. Como não chega pensamos em milhentas coisas, nem vale a pena dizer quais.... Chegamos ao ponto de imaginar a cara da nossa filhota a rir-se para nós e tanto andamos que vamos direiteinhas ao pior receio..... o parto......Agora só resta esperar que chegue o grandioso dia.
Estamos numa época marcada pela falta de ética onde é predominante a mentira, a desarmonia e o desvio de condutas morais. Os Homens de hoje encaram a sua própria imagem social como a jóia da coroa o único objectivo de vida. Não importa quem se esmaga, como se esmaga e o que se destrói desde que "eu" consiga alcançar o meu status, o meu objectivo.
O que vale é o império dos seus desejos e as vantagens que possa vir a obter através da manipulação daqueles que o rodeiam. É óbvio que desconhece e desconsidera qualquer princípio ético, pois, só preocupa em conseguir o que deseja ter e estar satisfeito com relação às suas ambições.
O mundo de hoje aparece-nos como uma tela hipócrita em que todos falam de paz, justiça, condições de vida para todos, blá, blá, blá.... Na realidade não é nada mais que uma fachada pitoresca para esconder aquilo que realmente sentem, aquilo que realmente fazem. As injustiças, a opressão aos mais fracos, a destruição e a vanglória do poder.
A corrupção domina os noticiários, as injustiças dominam o nosso dia-a-dia, e a cada segundo descobrimos que as pessoas em que confiamos não passam de meros figurinos neste palco. Pessoas que nada merecem, que nada valem e que no fundo temos que as respeitar somente porque esta sociedade nos impõe. É triste esta hierarquia, é triste um mundo regido de cunhas e não de trabalho e dedicação, é triste perceber que quem se dedica e trabalha nunca é reconhecido e nunca pode chegar mais além e quando o tentamos fazer de modo justo e honesto concluímos que somos abandonados e excluídos porque estamos no caminho de alguém.
Será que é isto que queremos passar aos nossos filhos?? saber que não dormimos de consciência tranquila mas afinal estamos lá, no pódio.
"No reino dos fins, tudo tem um preço ou uma dignidade. Quando uma coisa tem um preço, pode pôr-se, em vez dela qualquer outra coisa como equivalente; Mas quando uma coisa está acima de todo o preço, e, portanto não permite equivalente, então ela tem dignidade" Kant.
Os comportamentos que mais indignificam o próprio são os que indignificam os outros, como se costuma dizer, a seguir ao inverno vem sempre a primavera, quer queiramos quer não.
Se agir sempre com dignidade, talvez não consiga mudar o mundo, mas será um canalha a menos.John F. Kennedy